Para onde vou a partir de agora?

Muitas vezes a dificuldade de fazer uma escolha chega ao consultório regada a noites mal dormidas, vários pensamentos catastróficos e até mesmo náusea.


anonymous woman choosing clothes in store

Escolhas simples, mas nem tanto

Oh, tarefa difícil esta de escolhermos apenas um caminho, não é mesmo?

Ao mesmo tempo que é uma tarefa árdua, se pararmos para pensar, sempre estamos em contato com ela. Na nossa carreira, nos nossos relacionamentos, na forma com que nos relacionamos conosco.

Assim como, nos acontecimentos mais simples, como escolher uma roupa, um prato em um restaurante, se vamos aceitar ou não um convite de uma amiga. E dependendo do que está em jogo para nós, até mesmo estas situações aparentemente simples, podem gerar um certo desconforto.

Afinal, estaremos neste impasse de ter que decidir entre um caminho ou outro, entre um sim e um não. E lidarmos com as consequências disso. Consequências estas, que sequer sabemos exatamente quais serão e como se darão nas nossas vidas.

“[…] condenado a escolher agora e colher depois, sem nunca saber com que cara a obra vai ficar” (CAMON, 2012, p. 165).


Escolher também é liberdade

E mesmo que isso pareça ser um tanto angustiante e, na verdade, é mesmo. Ainda assim, parece ser a única forma de exercermos a nossa liberdade, sermos autoras de nossas histórias: escolhendo.

Não de maneira impulsiva, é claro. Mas buscando compreender o que está em jogo no momento para gente e o que tem nos limitado.

Compreendendo também que existem aspectos estruturais de nossas vidas que não escolhemos. Como o local onde vivemos, a família que temos, a sociedade em que estamos inseridas e como somos lidas por ela.

E nos estruturando emocionalmente, ao nosso próprio tempo e ritmo, e de outras maneiras, para tomarmos as decisões necessárias e possíveis para nós.

Um ponto importante que talvez precisemos lembrar é que nossas escolhas não precisam ser definitivas, nem muito menos “acertadas”. Para nós mulheres, como diz Renata Abreu:

“A expectativa sociocultural atua no cotidiano da mulher moderna que vive cobranças diárias em todas as dimensões da sua vida […]”.

“Pela faculdade acertada, pela carreira de sucesso, pela formalização do namoro e concretização do casamento, pela chegada do primeiro filho, se não pode ou não escolhe ter filhos: pelos porquês […]”.

Já que ao escolhermos não temos como adivinhar como a obra vai ficar, como esperar escolhas acertadas de início?

O que é certo hoje para gente, pode não fazer tanto sentido em outros momentos da nossa vida. Estamos escolhendo a partir dos recursos e visões de mundo que temos no momento.


woman standing in the middle of a road feeling free

Sobre podermos escolher algo diferente

Como não podemos fugir desta tarefa complicada de escolher, pois mesmo não escolhendo, estamos escolhendo, como diz Sartre. Que saibamos compreender que a qualquer momento podemos mudar alguns rumos, justamente com este ato tão doloroso e ao mesmo tempo libertador, que é a escolha.

“Assim, estamos perpetuamente comprometidos em nossa escolha, e perpetuamente conscientes de que nós mesmos podemos abruptamente inverter essa escolha e “mudar o rumo” (Jean- Paul Sartre).

Não sei se podemos mudar todos os rumos, mas que possamos olhar com atenção e buscarmos mudar (se for o nosso desejo, é claro) aqueles que estão um pouquinho mais próximos de nós.


Refletindo com a ajuda da telinha

Há um filme, que gosto muito, que pode ser interessante para refletirmos sobre escolher e mudar o rumo de nossas vidas. Ele se chama Juanita. E está disponível na Netflix. Clique aqui para conhecê-la.

Para onde vou agora

Também me lembrei de uma série interessante que tem tudo a ver com escolhas e reviravoltas. É a série Nada Ortodoxa, também da Netflix. Saiba mais aqui.

Para onde vou agora – Imagem 2

Não quero esgotar esta reflexão por aqui.

Então te convido a me contar um pouquinho de como este texto chegou até você por aí?


Referências utilizadas para pensar a nossa conversa de hoje:

ANGERAMI – CAMON, Valdemar (org). Psicossomática e suas interfaces: o processo silencioso do adoecimento. São Paulo: Cengage Learning: 2012.

ABREU, Renata. Felicidade feminina: uma escolha possível com práticas da psicologia positiva. São Paulo: Leader, 2017

SARTRE, Jean-Paul. Existencialismo é um humanismo. 4ª edição. São Paulo: Vozes De Bolso, 2014

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