Muitas confusões sobre sobre o que é autoestima, chegam no meu consultório. E por isso, percebi a importância de explicar um pouco mais sobre este tema tão necessário, por aqui.

Autoestima é valorizar e apreciar quem nós somos. Mas como funciona este processo na prática?

Quando nos consideramos de maneira positiva é comum percebermos as nossas qualidades e habilidades com mais facilidade. Também podemos acrescentar que no caso da autoestima positiva, temos uma compreensão maior dos nossos limites e nos sentimos mais à vontade para expressá-los para as pessoas ao nosso redor.

Já quando nos vemos de maneira negativa, podemos imaginar que as pessoas também nos veem desta forma e agirmos de uma maneira limitada diante dos nossos projetos e relações.

“O complexo de inferioridade, por exemplo, é uma maneira de se escolher a si mesmo como uma estrutura organizada de um plano elaborado de comportamento fracassado. Antecipando os julgamentos desfavoráveis dos outros, escolhe-se justamente comportamentos que os propicie. Dessa forma, o eu pode atuar como um amigo eficaz ou um feitor implacável em relação si mesmo” – (Erthal, 2013, p. 69)

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Também é comum termos de dificuldade de reconhecermos e aceitarmos quando somos amadas. Pois na baixa autoestima, mesmo desejando receber amor, temos medo de perdê-lo constantemente:

“Quando não se aprende a amar a si próprio, se destrói a única possibilidade de reverter o processo – a de ser amado. Se por um lado existe a necessidade de sentir o apreço do outro, por outro surge o medo de perdê-lo e o medo consequente de não saber o que fazer com isso.” (Erthal, 2013, p. 346)

Ao pensar em autoestima também devemos considerar raça, gênero, sexualidade e classe social. Além da nossa história singular, aquela que é só nossa. Afinal nós não temos os mesmos pontos de partidas e mesmo tendo algumas semelhanças nas nossas história o nosso modo de ver e experimentar as nossas relações e o mundo é muito particular.

“A maioria de nós vive essa jornada de forma tão árdua porque vivemos em uma cultura de baixa autoestima. Mulheres, especificamente, com frequência são arrebatadas pela armadilha da baixa autoestima. E então, nesse sentido, é muito difícil de confiar que a vida está certa, que você é capaz de encontrar o amor, ou de que sua vida pode ser significativa sem amor, quando estamos falando de relações afetivas.” (Bell Hooks em entrevista para Editora Elefante)

Nessa hora vale ressaltar que a autoestima alta ou baixa é uma construção. Quando crianças por exemplo, vamos conhecendo nossas capacidades e limites, tateando os objetos, dando os primeiros passos, experimentando este ou aquele comportamento, interagindo com as outras pessoas.

Nós vamos percebendo que há atitudes nossas que geram alegria e outras que não agradam as pessoas ao nosso redor. E vamos aprendendo o que é certo, errado, bonito, feio, adequado e inadequado a partir destas experiências.

Podemos dizer que nessa fase nós estamos um pouco mais vulneráveis a opinião dos outros, já que os adultos que emprestam para gente as visões sobre o mundo, sobre as coisas e também sobre nós mesmas.

Mas não deixamos de fazer a nossa própria avaliação sobre tudo isso e sobre a gente, mesmo quando pequenas. E este processo continua enquanto adolescentes e depois adultas.

Algumas experiências se tornam mais ou menos marcantes para gente e ajudam a construir a maneira com que nós nos vemos hoje.

Se você tem percebido que a sua relação consigo mesma não tem sido positiva, saiba que há a possibilidade de construir uma relação diferente com quem você é.

Se é se relacionando com o mundo e com as outras pessoas que nós construímos a nossa autoestima, é nessa relação que também podemos reconstruí-la enquanto mulheres adultas.

Mas é preciso que tenhamos espaço para isso, onde somos ouvidas, aceitas, livres de pressão para que possamos expressar e conhecer os nossos valores, desejos e necessidades.

“[…] a ajuda maior é a aceitação. Não importa se esta se origine de uma máquina, de um amigo, de um pai, de um terapeuta… Se a gente se sente aceito, se vê com coragem para descobrir aquilo que mais se teme. É a luz no quarto escuro!” (Erthal, 2013, p. 320)

Que processo importante este de gostarmos da gente, não é mesmo? 

Tanto é que algumas autoras como Bell Hooks, por exemplo, explicam que construir amor-próprio é revolucionário.

Se amar em um mundo que convida a gente a se limitar e se enquadrar não é mesmo uma revolução? 

E agora eu quero saber de você, como tem se relacionado consigo mesma por ai?


Este texto é um compilado de experiências e conexões significativas que recebo no consultório e na vida. E inspirado nas seguintes bibliografias:

Crítica à subjetividade capitalista: autoestima, espiritualidade e amor em bell hooks – Editora Elefante – Disponível em: https://elefanteeditora.com.br/critica-a-subjetividade-capitalista-autoestima-espiritualidade-e-amor-em-bell-hooks/

Reconstrução da Autoestima Através da Terapia Vivencial – Carla da Silva Arantes Gusmão e Cristiana Pizzarro

Tudo sobre Amor: Novas Perspectivas – Bell Hooks

Trilogia da Existência – Tereza Saldanha Erthal


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